Estou aqui para fazer algumas reflexões sobre a polêmica mais hype da minha querida universidade.
Desde que o mundo existe, pessoas tendem a se reunir para fins recreativos nos lugares em que isso é mais facilmente feito, ou em que há mais atrativos em fazê-lo. Não sei dizer se isso é característica dos seres vivos em geral, mas os lactobacilos também se reúnem no leite, e desaparecem quando o leite acaba quase tão rapidamente quanto a turma se dispersa quando acaba a comida e a bebida de uma festa. Alguns seres vivos mais complexos se reúnem e interagem, com fins de proteção, recreação ou procriação. Na África, as zebras vivem em bandos, simplesmente porque uma zebra sozinha é vista por leões como uma picanha ambulante.
Seres humanos se reúnem. Não só os seres humanos, mas outros tipos de bichos, gostam de sonorização em seus encontros: as cigarras fazem a mesma coisa, os patos, os cachorros (especialmente poodles!)...
Agora veja a situação: se somos todos seres humanos, e queremos nos encontrar, e há uma linda praça arborizada, ampla e segura para o fazer-mos, o que será feito? Obviamente, uma reunião nessa praça. Obviamente, com música, comida e bebida. Porque é assim que funciona. Porque é assim que Jesus fazia. Porque é assim que gostamos.

Evidentemente que, nos dias atuais, uma reunião grande vai gerar muito mais barulho. E isso impede a pessoa que precisa dormir de fazê-lo. Resultado: conflito de interesses. Duas coisas absolutamente naturais do ser humano que simplesmente não podem coexistir.
A impossibilidade de coexistência vai gerar um conflito, que na nossa sociedade é resolvida através do sistema judiciário. No mundo real: associação de moradores de barão geraldo entrou com ação contra a Unicamp no MP com o objetivo de proibir as festas - mais detalhes no blog do Daniel, membro do CONSU.
Hoje me pergunto se não é mais uma questão de liderança que de adminstração. Se a reitoria da Unicamp tomar partido absoluto em relação a qualquer um dos lados, estará suprimindo um entre dois aspectos importantes do ser humano: confraternizar ou dormir. Claro que, se fosse para escolher, seria escolhido dormir, porque sem confraternizar ninguém morre, e sem dormir as pessoas morrem. Não é o caso de uma escolha absoluta.
O que há são dois lados em conflito. Cabe à reitoria, no papel de liderança universitária, fazer o meio de campo. O problema é o som? Ok, então vamos ver como são feitas as festas em que o som não incomoda a vizinhança e divulgar esse tipo de modelo (alguém tem um decibelímetro para fiscalizar o som, ao invés de probir a festa?). O problema são as drogas? Por favor, então coloquem alguém pra coibir uso de drogas, e aproveitem para coibir sequestro relâmpago e roubo de carro no campus.
O que não pode ser feito é pensar que festa é errado, porque não é. São só humanos fazendo o que humanos fazem.
O que chega para os estudantes é um monte de medidas tomadas legitimamente (no sentido de legalidade), mas por pessoas que não fazem parte da comunidade que sofrerá o ônus da medida - ou seja, muito fácil sair proibindo coisas. E aí o povo se revolta.
Se a Unicamp persistir lidando com os problemas através de proibições, então logo logo teremos duas conseqüências igualmente ruins. Primeiro, o campus vai virar uma praça de guerra, porque vão chamar a tropa de choque para coibir uma festa com 1000, 2000 pessoas e a gente já sabe o que acontece. A outra conseqüência é que, em algum tempo, a proibição com força polícial vai fazer efeito e nossas oportunidades de confraternização vão se restringir bastante - e então nos tornaremos não a Universidade, mas as Faculdades Estaduais Fisicamente Próximas E Com Subconjunto de Disciplinas E Orçamento Compartilhado De Campinas - FEFPECSDORCAmp.
Abraços a todos
E lembrem-se de ponderar, principalmente quando vocês liderarem alguma coisa
Abraço
T










