sexta-feira, 21 de junho de 2013

Campinas: os Netos da Revolução

Ontem eu fiquei um pouco chateado. Mesmo sem foco, acho muito legal que todo mundo esteja se sentindo no direito de ir prá passeata e cada um levar a sua pauta. Acho que é isso que significa "ocupar", não é?

Agora duas partes desse post incrivelmente longo: fatos e pensamentos.

Fatos:
Quando chegamos na prefeitura, a multidão parou... não entendi bem o que estava acontecendo. Estava escuro, eu estava longe e não deu pra ver nada. Corre-corre, ouvimos algumas explosões que pareciam fogos de artifício. De repente, uma galera evadindo. Meu time saiu da frente do colégio, e foi pro fundo do Largo das Andorinhas. Mais explosões, corre-corre e de repente (isso a 70m da prefeitura) o nariz arde, o olho lacrimeja e meu time novamente recua. De um outro ângulo, comecei a entender que tinha uma turma querendo muito jogar pedras e rojões na prefeitura. De repente, estava eu na esquina da Benjamin Constant com a Luzitânia. O tumulto começou a aumentar, então decidi que eu não iria ficar lá vendo aquele festival de quebradeira. Eu não vou ficar longe de casa, dar audiência pra catástrofes despropositadas e ainda por cima levar resto de bomba de gás na cara, a não ser que tivesse uma causa muito clara e importante para isso (o que, obviamente, não tinha). Só que decidimos sair pela Luzitânia, em direção à Orozimbo Maia. E o caminho pra lá estava... gaseificado. Bom, uma vez que só tínhamos uma rota de fuga restante - em direção à Glicério - fomos embora por lá mesmo. 40 minutos a pé pra casa, o que foi ótimo prá gente refletir sobre o que tinha acontecido.
Chegando em casa, fui atrás do facebook e da TV. Queria saber o que estava acontecendo. E aí vi que tava rolando saques, quebradeira do Palácio dos Jequitibás e algum idiota quebrou o ponto de ônibus em frente à prefeitura, que *eu uso para pegar ônibus*. A evasão da Equipe T2 havia sido uma decisão acertada, no fim de tudo.

Pensamentos:

  • A Globo está definitivamente explorando essas imagens de quebra-quebra, como uma espécie de Datena político. O Brasil agora se divide entre "vândalos" e "da paz", e o discurso "alguns vândalos blá blá blá" se espalhou. 
  • Concordando ou não com as bandeiras de cada um, é ótimo que todo mundo se sinta no direito de ser representado pelo ato.
  • Só não entendi (sem entrar no mérito da questão, é claro), o que coisas como o impeachment da Dilma tem a ver com a questão do transporte público (e, ainda mais, como o prefeito poderia ajudar nessa questão), e no que xingar o Ronaldo vai ajudar na questão da copa. Pelo bem e pelo mal, parece que realmente a turma "saiu do Facebook".
  • Quanto às pessoas que se aproveitam de um sentimento completamente honesto de cada um (de querer ocupar as ruas) para depredar o ponto de ônibus, saquear loja ou brincar de guerrinha provocando fisicamente a polícia: já falaram que é ódio social, conspiração da direita, vandalismo aleatório, e sempre com argumentos muito factíveis.
  • E agora todo mundo vai se acusar de tentativa de golpe: "a globo quer dar um golpe!", "o PT quer dar um golpe"... independente de quem vá dar o golpe, vai ser um golpe de judô: a força da massa está, definitivamente, agindo contra a própria massa.
  • Esse "anti-partidarismo" não está legal. Verdade que os PSTUs e PCOs da vida adoram colocar uma bandeira na frente da manifestação, e obviamente eles não representam a turma que estava lá (que tinha saído do Facebook). Mas, pior que ter um monte de partidos, é ser proibido ter partidos. Diz que é "filho da revolução", mas esqueceu da história da própria revolução? Poser!
  • Agora os comentários gerais são que "os outros não têm pauta", mas sem hipocrisia nenhuma, minha pauta, ao estar lá, era mostrar que é possível estar. Feito isso, e diante da quebradeira, meu trabalho por lá estava terminado.
  • O prefeito de Campinas abaixou o preço da passagem antes de ter uma manifestação sobre isso, e ainda por cima preparou a cidade inteira para receber a manifestação. Nesse ponto, ele está fazendo o que deveria. Sem algum argumento, fica difícil acusá-lo de "populista".
Conclusões:
Ainda estou me decidindo sobre tudo o que eu acho. De forma geral, parece haver uma grande confusão entre o que é "indivíduo", o que é "povo", o que é "polícia", o que é "aquele policial específico", o que é "política", o que é "os políticos" e o que é "aquele político específico".

De minha parte, eu, assim como ontem e todos os dias anteriores, vou hoje fazer um mundo melhor, do jeito que eu acho, do jeito que eu posso.

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